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As Veias da Pedra

O primeiro a recebê-los na pedreira foi Bórin. Estava diante de uma passagem interditada, com a picareta apoiada no ombro. Atrás dele, dois trabalhadores discutiam quem teria coragem de buscar as ferramentas deixadas no túnel.

Crônicas de Eldora · Os Selos do Reino

O primeiro a recebê-los na pedreira foi Bórin. Estava diante de uma passagem interditada, com a picareta apoiada no ombro. Atrás dele, dois trabalhadores discutiam quem teria coragem de buscar as ferramentas deixadas no túnel.

— Se vieram buscar granito, escolheram um péssimo dia.

Thorek colocou a caixa no chão e ergueu a tampa. Antes que alguém tocasse no fragmento, Bórin apontou para a passagem. — Isso saiu de lá.

A escavação havia alcançado uma parede enterrada sob a rocha natural. Os trabalhadores aproveitaram os primeiros blocos sem perceber as inscrições. Depois vieram os tremores. Pequenos golens surgiram entre os rejeitos, e criaturas que antes permaneciam nas galerias profundas começaram a subir.

Bórin mandara interromper o trabalho. — Primeiro achei que tivéssemos aberto um ninho. Então ouvi as batidas.

O aventureiro olhou para a caixa. — A pedra está respondendo a alguma coisa? — É o que vamos descobrir — disse Thorek.

Dentro da galeria, veios azulados atravessavam a parede antiga. A luz corria por eles em intervalos irregulares, desaparecendo onde faltava o bloco. A cada interrupção, a estrutura estremecia.

Thorek encontrou o encaixe junto ao chão. Precisaria limpar os sulcos e fixar o fragmento sem cobrir os canais de mana.

Bórin examinou o teto. — Posso sustentar esta parte. Mas ninguém trabalha aqui enquanto essas criaturas continuarem descendo.

O aventureiro avançou primeiro. Entre pedras soltas e ferramentas abandonadas, abriu caminho até a galeria seguinte. Ali, três veios luminosos terminavam em pontos diferentes de uma mesma estrutura.

O grimório aqueceu em suas mãos. Nas margens, surgiram traços incompletos. Quando ele se aproximava de um veio, um deles ganhava nitidez; ao se afastar, voltava a desaparecer. Não era uma instrução. Era uma forma de comparar as marcas.

Levou suas observações a Thorek. O artesão dispôs os desenhos sobre uma tábua, girou um deles e apontou para a parede. — A peça fecha este percurso. Mas precisamos aliviar a pressão antes de encaixá-la.

Havia três pequenas cavidades na estrutura. Duas estavam obstruídas por cascalho. A terceira desaparecia atrás de uma massa de pedra que se moveu quando Bórin aproximou a lamparina.

O golem se ergueu lentamente. Trazia no peito lascas da parede antiga. Entre elas, a mana se acumulava numa luz pulsante.

O primeiro golpe atingiu o chão onde Thorek estava ajoelhado. Bórin puxou o artesão para trás. O aventureiro tomou a frente, conduzindo a criatura para longe dos suportes do teto.

A luta terminou junto a um carrinho tombado. Quando o golem desmoronou, a luz de seu peito se dispersou pelos veios da parede. Uma das cavidades voltou a brilhar.

Thorek esperou o próximo pulso. — Agora.

O fragmento entrou no encaixe com um som seco. Bórin segurou a escora enquanto Thorek ajustava as presilhas. O aventureiro acompanhou os desenhos do grimório: um traço acendeu, depois outro.

Por um momento, nada aconteceu. Então a luz atravessou a emenda. Seguiu pela parede, alcançou as três cavidades e continuou para dentro da rocha. As batidas cessaram.

Da entrada da galeria veio a voz de um trabalhador: — O chão parou!

Bórin soltou o ar devagar. Só então perceberam quanto tempo haviam passado esperando o próximo tremor.

Thorek encontrou o segundo encaixe ao recolher as ferramentas. Era estreito, protegido por uma cobertura de pedra. Diferente da fratura reparada, suas bordas estavam intactas. Havia marcas recentes nos parafusos.

— Aqui também faltava uma peça? — perguntou o aventureiro.

Bórin aproximou a luz. No interior, a poeira preservava o contorno de algo comprido. Quem o retirara havia soltado as presilhas e levado o componente inteiro.

Thorek examinou o mecanismo. — Isto foi desmontado.

Na capital, Selene recebeu a notícia diante da inscrição descoberta em seu aposento. O traço azul agora permanecia estável. O reparo na pedreira havia alcançado a cidade.

Ela ouviu o relato até o fim e pediu o desenho do encaixe vazio. Depois abriu um mapa antigo. Uma linha quase apagada saía da região da pedreira e seguia até a Floresta Sombria. Perto dela havia uma anotação: Posto de manutenção — acesso sob as raízes.

Selene marcou o lugar numa folha nova. — Sylas conhece essas trilhas. Levem isto a ele.

Ao dobrar o mapa, o aventureiro percebeu uma segunda marca junto ao posto: o mesmo símbolo que o grimório havia reproduzido na estrada. Agora sabiam onde procurar. Ainda precisavam descobrir quem chegara antes.